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a m o r o s a m e n t e

Talvez sinta demais, mas se não fosse assim perdia a graça.

a m o r o s a m e n t e

Talvez sinta demais, mas se não fosse assim perdia a graça.

Seg | 30.10.17

Uma mágoa antiga.

Helena Alegria

levaste-me à loucura

por tanto te amar

enchi-me de desespero

por tanto me ignorares

Oh! As maravilhas que o coração trás... O pulso que vai rápido demais, o olhar que foge ao se encontrar...

Teve tudo de mais belo, mas não teve nada de perfeito. Quem diria que algo tão platónico, traria tanto até meu peito.

E é estranho, estranho como fui cativada por ti. Talvez fosse a tua rebeldia, ou mesmo a completa oposição dos nossos mundos que eu em ti via. Hoje sei da minha falta de amor próprio, mas naquela época desconhecia. Eu realmente devia estar cega para amar tanto quem não devia.

Foi uma loucura numa tenra adolescência. Foi algo descabido que me levou alguma essência. Foi um interesse que veio cheio de sonhos. Foram sonhos sobre ti que eram só mesmo isso... Sonhos!

De tanto tempo que já passou, o que mais me lembra é o desgosto... O momento em que eu chorava desalmadamente por alguém que me olhava cheio de raiva. Lembro-me desse olhar, lembro-me de ficar arrepiada. Mas lembro-me daquele sorriso, aquele sorriso que por ti eu sempre carregava...

Porque o amor é entusiasmante, mas nem sempre corre da melhor forma. Cada segundo, cada instante... Era tudo tão palpitante! O meu coração vibrava cada vez que te via, e eu, apaixonada, feliz por cada conquista. Conquistas essas que não passavam da descoberta de novas histórias sobre ti. Histórias que me ajudavam a pintar um retrato magnífico, sobre algo não tão belo assim.

Sex | 27.10.17

Sobre paixonetas.

Helena Alegria

É algo muito estranho em mim. Os últimos anos foram sempre muito conturbados, mas tive uma ou outra fase bem agradável. Como agora... E coincidem sempre com as alturas em que eu estou de “coração aberto” para o mundo, sempre que estou disposta a amar, seja de que jeito for. Parece que todo o romance e mesmo simples paixonetas, sentimentos platónicos e por aí vai, são o que trás cor à minha vida, o que a torna emocionante!

Apesar de tenra idade acho que já vivi muitos amores. Fictícios, diria eu... Mas sempre fui muito dada a este sentimento. Nos meus primeiros anos de adolescência, antes de sucumbir perante doenças, o amor era a minha vida, ou estar apaixonada... Enfim. Era o que dava cor a cada dia e a cada segundo. Era o que tornava mágico viver, o que tornava a vida especial.

Hoje olho para trás e tenho outras perspectivas do meu passado neste ramo. Talvez ainda mudem mais dentro de cinco anos... Naquela altura “tudo o que vinha à rede era peixe”, e refiro-me ao que sentia. Qualquer sentimento, por mais insignificante que eu o considere hoje, naquela época era válido.

Mas eu analiso todo este passado, vejo grandes amores, pequenos também. Vejo amores para os olhos, única e exclusivamente! Apesar de tudo vejo um amor com o tamanho do mundo... E acho que isso é uma linda visão. Os grandes amores ainda me assombram... Mas vai que um dia eu consiga, de verdade, algum coração!

Qua | 25.10.17

Correntes do amor.

Helena Alegria

solta-te dessas correntes que te prendem

prendem-te no peito um coração que está encurralado

atreve-te a sentir algo para além do receio

acredita que não estás só, estou do teu lado

Por vezes amar parece-se como nos atirarmos de um penhasco.

Por vezes amar parece que complica tudo.

Mas por norma, amar, também é o que trás cores vibrantes à nossa vida.

Ela nunca teve medo de amar. Tem um coração solto, e cheio de amor para dar. Ela atira-se de cabeça e nada até às profundezas. Por vezes com receio, mas sempre com grande braveza.

Ele tem receio. Ele conhece o amor pela sua cabeça. Ele sabe que é um jogo manhoso, capaz de distorcer tudo. Ele evita o penhasco à beira mar, de onde ela tanta vez se atirou, o penhasco onde ela espera por ele.

Ela também sabe o quão manhoso o amor é. Ela consegue vê-lo pela sua cabeça também, mesmo que por vezes pareça que só usa o coração, e nasceu para assim o fazer. Mas ela diz-lhe que perdedor não é aquele que se atira de cabeça, mas aquele que preferiu ficar com as suas análises e não se deixou levar pelas correntes, perdedor é aquele que preferiu ficar na sua zona de conforto sem sequer tentar.

Ele tem receio, realmente, tem. Quanto mais perto do penhasco está, mais parecem tremer as suas pernas. Mas ele sabe quem tem do seu lado. Ele sabe que seria realmente um perdedor se não tentasse. Cada caso é um caso, e se não arriscar, nunca saberia as maravilhas que virão por aí... Nem mesmo as tragédias, que também são necessárias. Não para ter medo do penhasco, ou das profundezas que o mar esconde, mas pela experiência que nos trás. Porque a vida pode ter muita tragédia, mas a tragédia também trás maravilhas, e são essas que valem a pena, não ficar sentado no sofá.

Seg | 23.10.17

Algo mal decifrado.

Helena Alegria

palavras sentidas

palavras desiludidas

palavras perdidas

amizades esquecidas

Memórias que se baralham. Intenções mal interpretadas que me remetem para uma época distante. Recordo aquele dia mas recordo pouco. Recordo o suficiente para ficar num sufoco. Um sufoco no qual tu não estás presente, no qual tu partistes e levaste o meu oxigénio.

Por vezes temos atitudes desnecessárias, mas por vezes a própria vida dá-nos eventos envenenados. Aquelas palavras ainda ressoam através da faca que ainda alcança o meu coração. Mal podia eu ver a tua preocupação.

Escondeste-te no meio de palavras afiadas que me empurraram para longe. Fisicamente pelo menos, já que o meu amor permanece contigo. Lembro-me de atravessar a estrada e esquecer seres meu amigo.

Hoje arrependo-me. Hoje olho para trás e vejo que nem tudo o que parece é. Que eu estava sensibilizada e levei aquelas palavras demasiado a peito. Tudo no razoável custo de uma amizade pela qual eu daria a minha vida.

Hoje olho para trás e apercebo-me que por de trás de algo menos amistoso estava um coração apanhado de surpresa, incrédulo com o que poderia estar diante de si.

Ainda hoje corro na tua direção... Nunca te alcanço. Queria chegar perto, mais uma vez. Mas parece que perdi o jeito.

Sex | 20.10.17

Sobre amizades.

Helena Alegria

Depois de me começar a isolar, tornei-me numa pessoa muito rígida com as amizades. Fico sempre de pé atrás com as pessoas. É-me muito difícil admitir que alguém é meu amigo.

É difícil de explicar... Mas talvez isso tenha contribuído para o aumento da minha solidão nos últimos tempos.

Mas ontem estive com uma amiga, alguém que eu achava que não tinha assim tanta consideração por mim... Pensei que fosse só mais uma pessoa na vida dela.

Só que, na verdade, se não nos informarmos com a própria pessoa, o que nós pensamos são só suposições. Eu percebi que afinal ela também não é de grandes amizades; afinal ela até pode conhecer e falar com muita gente, mas só alguns importam mais. E adivinhem? Eu pertencia a esse grupo!

Senti-me mal. O dia correu tão bem que eu questionei como poderia ter ignorado toda esta chance.

Neste momento só tenho a minha mãe. Achava que só a tinha a ela. Afinal há outra pessoa com quem posso contar.

Aos poucos as coisas vão-se endireitando, e isso sabe bem.

Tenho andado mais descontraída e mais alegre. Sinto-me bem depois de todo o pesadelo maior que vivi este ano, no verão passado...

Qua | 18.10.17

Desfaz-te da crueldade exterior.

Helena Alegria

uma palavra menos amiga

uma mão que aperta com força

um ser cheio de vontades reprimidas

e um coração que sofre um pouco mais por cada dia

É difícil viver num mundo cruel. Mas o mundo não é cruel, são as pessoas que por cá andam. Mas também não são todas, por vezes temos as erradas do nosso lado.

Ela sofre a cada dia, vive com um coração amargurado. Queria se soltar, desprender do que a deixa intoxicada... Mas ela pensa não ter forças que chegue para enfrentar as batalhas sem ninguém do seu lado.

“Flor do meu coração, quem tem força para aturar pessoas ruins assim consegue enfrentar o mundo!”, dizia a sua voz interior, na qual ela não conseguia acreditar.

É mais fácil acreditar nos defeitos e nas críticas, nos insultos e nas palavras nada amigas. É mais fácil acreditar que a beleza não a escolheu, mas que a fraqueza gosta dela. É mais fácil acreditar que não sabe fazer o que gosta mas que pode fazer o que os outros querem, que quando ouve algo mais pesado de uma boca que devia consolá-la, isso é normal.

Mas flor, nada disso é aceitável. Solta-te! Eu ouvi tão bem dizer que a gente sente falta de quem nos faz mal se sozinhos, mas chega a um ponto que não sentimos mais pois estamos melhores assim. E flor! Isso é verdade. Então enfrenta o mundo. Tu és linda. Deixa-te ser regada pela vida para não murchares mais. Tu és forte por ti própria. Cheia de defeitos mas também tão, tão cheia de qualidades! Faz o que gostas, pensa por ti, pelo que te faz bem a ti.

Se a tua vida és tu o tempo inteiro, que sentido faz satisfazer os outros primeiro?

Seg | 16.10.17

Memórias escondidas.

Helena Alegria

és aquela luz ao fundo do túnel

aquela que derrete a neve da minha pele

eu corro atrás de ti até me cansar

e quando recuperar forças novamente começarei a andar

É estranho. Estranho como o teu nome me vem à cabeça quando menos espero. Quando acho que és um capítulo encerrado a vida bate à porta com uma carta que me relembra tudo da tua pessoa...

Repasso nessas memórias e é sempre a mesma coisa. Eu, no meu canto, a sofrer porque tu não queres saber, ou porque eu assim o supus.

Relembro um abraço, relembro o cheiro que a tua roupa trazia, relembro a marca perto da nuca... A voz, o olhar, um pouco de tudo e um pouco de nada...

E nas lembranças eu vivo e permaneço intacta. Sigo o meu destino que parece te achar graça!

Num passado já distante fico presa ao que houve de bom, ao que houve de mau... Mas também ao que foi real e ao que foi imaginário.

Palavras repassam na minha mente. Infinitas as vezes que ocupaste o meu pensamento. As discussões vejo-as a este, e a oeste encontro todo o apoio outrora mútuo.

Pensava que estarias sempre presente, mas a vida fez de ti um passageiro, assim como faz com tudo... Queria que estivesses sempre do meu lado. Mas a vida, na sua rebeldia, fez por te pôr de lado.

Junto a mim ou não, ainda hoje permaneces no meu coração. Carrego-te satisfeita pelo que um dia foi garantido, mas o desgosto apoderasse ao lembrar de te ter perdido...

Sex | 13.10.17

Sobre estes dias do ano.

Helena Alegria

É difícil. Ontem fez dois anos que o meu pai faleceu. A ferida ainda está aberta, ainda é recente. Esta é aquela altura do ano em que as memórias doem mais do que em qualquer outra época.

O meu pai tinha uma idade já avançada. Ele e a minha mãe tinham muitos anos de diferença. E quando digo muitos é muitos mesmo! Mas devido a diversos fatores ele faleceu. Foi o cancro que estava demasiado alastrado, foi o coração que estava doente também, e foi o raio de um infeção a nível pulmonar que foi a gota de água.

Eu tinha começado as aulas à noite nesse ano, mas ainda assim ia visitá-lo todos os dias. Estava saturada daquele hospital... Ele tinha lá estado pouco mais de duas semanas, foi para casa até quase ao fim de setembro e sentiu-se mal. Fui eu que dei por isso, acho que posso dizer que foi graças a mim que ele foi a tempo, minimamente, para o hospital, por mais duas semanas. Era difícil lidar com isto tudo.

Engraçado, que não tem graça nenhuma, mas ele dizia sempre que iria falecer aos 85, e assim foi. E na véspera de ele falecer, a gente permaneceu no hospital até mais tarde porque ele estava muito mal, a minha mãe não queria vir embora mas eu achei melhor devido aos transportes, afinal já era tarde... Mas quando viemos embora ele acenou-me. Ele andava tão em baixo que já não me ligava nenhuma. Mas naquele dia ele acenou-me ao ver-me ir embora. Lembro-me da minha mãe chorar porque ela sabia que não o devia deixar sozinho, que ele precisava de nós... Mas eu estava satisfeita porque o meu pai voltou a acenar-me! E apesar de tudo, de um modo ou outro, foi bom. Apesar de tudo, a exata última memória que tenho dele, apesar de toda aquela situação, foi compensatória!

Ele era um excelente homem, e eu só posso me sentir grata por o ter tido na minha vida, e por ele ter sido o meu querido pai.  Sem mais alongamentos... Terei todas as oportunidades para escrever sobre ele.

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