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a m o r o s a m e n t e

Talvez sinta demais, mas se não fosse assim perdia a graça.

a m o r o s a m e n t e

Talvez sinta demais, mas se não fosse assim perdia a graça.

Ter | 19.12.17

Dúvidas do meu mundo.

Helena Alegria

querida confusão que preenches o meu coração

peço-te perdão por não entender a tua razão

mas não quero mais sofrer perdida numa ilusão

peço-te profundamente que de mim abras mão

É difícil pôr em palavras aquilo que sinto. Olho para ti e não sei quem és, apenas sei como te trago dentro de mim. Reconheço os restos de sentimentos antigos, mas não sei se reconheço o que restou do que um dia foste.

Será que algum dia te conheci realmente? Não sei. Tínhamos uma ligação que eu arruinei. Não era nada de mais, e a distância ia acabar por nos consumir... Cada um tinha um percurso destinado a perseguir!

Mas a verdade é que me ponho a pensar... Será que se hoje te recuperasse valeria a pena? Será que sairia desiludida? Será que criei uma personagem com base no teu nome e na tua cara, e detalhes que eu sempre guardara?

Não tenho certeza de quem foste ontem, não sei quem és hoje, ainda mais incerto será o amanhã... Por mais que eu queira estar lá para ver, não sei se deva, não sei o que o destino nos reserva...

Talvez seja apenas um dia mais difícil. Talvez esteja apenas mais murcha, mais sensível... Mas quando tenho um vislumbre da tua realidade, tenho receio de ser incompatível com ela...

Carrego ao peito um grande sentimento de uma garota de treze anos que se perdeu no tempo. Não sei decifrar o que aconteceu quando abri as portas do meu coração para ti, mas de algum modo acorrentaram-me lá dentro com as paredes recheadas de fotografias tuas... Só conheço o teu rosto, és o meu conforto. Desconheço o resto do mundo porque deixei que te tornasses nele.

Seg | 18.12.17

Dando dicas ao destino.

Helena Alegria

mal me sinto de tanto frio

mas sinto-te tanto sem qualquer temperatura

estás distance, quase inatingível

procuro-te fundo dentro de mim numa tentativa de me encontrar

Tenho as mãos geladas, mas uma alma aquecida por ilusões que a fazem continuar. As minhas pernas tremem e o coração acelera cada vez que penso poder te encontrar... Gostava que fosse assim tão simples... Que a lei da atração me ouvisse e te enviasse de imediato.

Passou tanto tempo! Anos a fio sem ti, a tentar ganhar coragem, a atirar-me de cabeça e cair em concreto, e ainda assim fico de mãos e pés atados quando a tua memória bate à minha porta. Custa-me que tanto tempo tenha passado... Custa-me só o pensamento que mais tempo passe sem eu ter-te do meu lado! Mas aceito a derrota do que já passou. Fui uma idiota, e enfim... Acho que ainda sou!

Sei que tinha de ser assim. Ou pelo menos tento acreditar que sim. Deixei-te para trás por visões distorcidas... A vida guardava-nos percursos que precisávamos mais do que aquilo que precisávamos um do outro... E está tudo bem. Deveria estar, pelo menos... Tínhamos vivências a caminhos a percorrer, na qual o outro não fazia parte. Até agora pelo menos...

Será possível mudar isso? Pergunto-me se é possível juntar novamente o que um dia o destino separou. Pergunto-me se o futuro te guarda nos seus planos para mim, e se me guarda nos seus planos para ti. Pergunto-me se o destino ainda nos poderá reunir? Tudo indica que sim, mas não sei se o que preciso é fazer um check up no oftalmologista...

 

Qui | 14.12.17

Testemunhando o que não precisa ser testemunhado.

Helena Alegria

num vestido branco ela percorre aquela sala

vai na tua direção ao ritmo da música de fundo

mais uma dancinha e a seguir mimos e mais mimo

o vosso amor pertence-vos e não há testemunhas que contestem isso

Nunca fui a moça que sonhava com um lindo e longo vestido branco, um dia, num altar, acompanhada do amor da minha vida. Mas ei, eu nunca fui de sonhar. Sempre tive as minhas paixões e, honestamente, eu sonhava com toda a pintura que resultaria na pessoa que eles demonstravam ser... Para mim tudo era arte. Arte, o olhar dele enquanto se esconde do sol, mas também quando deixa que o mesmo o incandeie. Arte, os toques peculiares do seu cabelo, a sensação do mesmo quando está grande demais e em vez de apenas cumprimentar a nuca também faz cócegas no seu pescoço. Todo ele é arte, desde o sorriso até à gargalhada que solta de seguida. Mas enfim...

Nunca fui a moça que sonhava com um anel de noivado. Mesmo as alianças não me dizem muito... Sinceramente um anel de compromisso chegava-me. Algo íntimo e com carga emocional suficiente de ambas as partes. Algo que só pertence a nós dois, e que não faz parte de um acordo em que até papelada há para assinar. Estamos bem como estivermos. Com tanto divórcio por aí o casamento assusta-me cada vez mais. Porquê?

Mas não é uma cerimónia que faz o teu compromisso durar. Os tempos mudam com o decorrer dos anos... De que serve formalizar uma relação? O que formaliza a relação é o esforço que colocas nela todos os dias, e não o trabalho todo dos convites e da organização do evento em si. O que faz tudo valer a pena é quando tudo pára para verem o teu clube jogar. O que faz tudo valer a pena é ela estar naquela altura insuportável do mês e o que paira no ar é compreensão e mimo. Enfim...

Não vamos construir uma farsa, vamos construir uma história de amor, uma que tem as vírgulas que nós queremos e sentimos, e não aquelas que ficam bem numa foto do instagram.

Ter | 12.12.17

Grata pela tua importância.

Helena Alegria

um frio na barriga que me faz contorcer

as minhas pernas não aguentam de tanto eu tremer

dói mas eu sigo com um sorriso na cara

o meu sentimento por ti permanece ainda que a forma correta seja ”amava”

Foste alguém importante demais para mim. Fomos os platónicos um do outro. Talvez... Gosto de acreditar que sim. Mas seja o que quer que fosse que houve ali, eu apercebi-me tarde.  Não me queixo, sou daquelas pessoas que mantém o pensamento que, a bem ou a mal, vivemos o que vivemos porque é assim que tem de ser, é assim que nos faz falta, e o universo lá há de saber a razão que guarda...

Foste importante demais para mim. Abriste-me os olhos para o amor, quando o que eu mais queria era que o mesmo cegasse. Trouxeste a cor que outrem levou, outrem que me deixou a preto e branco. Trouxeste a magia da vida de volta ao meu peito. Eu inicialmente fiz de tudo para não ver. Quando assumi a minha realidade, aquela que, mesmo indiretamente, tu fizeste-me perceber ser a minha, tentei de tudo... Tudo por ti. Acho que não me dei bem. Mas é aquela coisa! O destino lá sabe os seus motivos. Fomos amores eternos que não se eternizaram, pois o tempo nos deu as horas erradas...

Foste importante demais. Contigo recuperei a pessoa que era, e por isso te estarei eternamente grata. Podemos não ter vivido nada em concreto, mas o que sentimos tornou o meu mundo num mundo aberto! E hoje olho para ti... É difícil ver-te acompanhado. Por um lado fico feliz. Por outro ressoa no meu ouvido um coração magoado... Mas estás bem, e eu bem estarei. Carrego um certo desgosto por não ser do teu lado, mas dou-me por feliz por um dia te ter visto por mim apaixonado...

Seg | 11.12.17

Abraços marcados.

Helena Alegria

são abraços soltos que nos envolvem

e o espaço entre nós distancia-nos

com tanto vazio pelo meio

aquele abraço sentido é o que eu mais valorizo

Há abraços e abraços. Assim como há sentimentos e sentimentos... Mas há alguns abraços que se tornam difíceis de expressar seja qual for o momento!

Lembro-me de uma pessoa que eu abraçava constantemente. Uma pessoa cujos braços eram o meu conforto. Essa pessoa nem se importava, mas eu fechava os olhos pois era a única que tinha. E ah... Como eu precisava!

Lembro-me de outra pessoa, uma pessoa muito palhacinha, que sempre fazia todos rir, ou simplesmente sorrir. Era uma pessoa bastante carinhosa. Abraçava tudo e todos. Também confortava.

Mas o que mais me marcou foi quando alguém especial realmente me abraçou! Lembro-me dessa pessoa me ter consolado, e quando nos abraçamos foi recíproco. Não foi como aquela pessoa acima mencionada, que me abraçava e ao mesmo tempo me ignorava. Abraçava só porque sim, para não parecer mal... Mas esta pessoa que me abraçou conquistou-me! Eu não sabia o que era um abraço até então.

Era miúda, e tinha poucas confianças com as pessoas no geral. Nunca fui a carinhosa, era a afastada. Apesar de que, muito contraditoriamente, eu sou carinhosa demais, só nunca o soube demonstrar. E num mundo cheio de gente gelada, é difícil saber quem nesta categoria se enquadra... Essa pessoa realmente me abraçou. E eu nunca mais esqueci aquele momento, em que as estrelas se alinharam por um simples afeto...

Qui | 07.12.17

O tempo que te persegue.

Helena Alegria

os anos vão passando no seu próprio tempo

eu olho para trás, onde tu estás, onde eu pertenço

os anos separam-nos, traçaram-nos caminhos diferentes

eu não desapego, não te nego, por mais que tente

Incrível é a passagem do tempo. Por vezes contamos cada segundo, noutras não damos conta nem das horas. Tudo passa, nada fica. Atrevo-me a dizer que às vezes só complica.

E complicou-nos a nós. Hoje é raro ouvir uma palavras tua, é difícil relembrar até a tua voz. Olho em volta, olho ao meu redor... Ainda hoje vejo a tua sombra, que me acompanha na minha saudade, que me trás um gosto daquela antiga felicidade.

Quanto mais tempo passa, mais eu lembro e relembro. Pensava que esqueceria, mas tornaste-te o meu tormento. Também uma companhia, que, ainda que apenas na memória, me retira de qualquer sufoco, que me retira da grande agonia.

Recordo com carinho cada momento que te tive por perto. Olho para trás e quando retomo o meu olhar no hoje... Desassossego!

É um sentimento fantástico, mas também impiedoso. O facto de tudo passar, mas não este desgosto...

Quero chorar pelo que não é... Quero sorrir pelo que foi! Sei que o tempo passou, mas de ti nada me roubou. Continuas cá dentro. Palpitante, fervendo... Quero chegar a ti, mas como? Nem sequer tento!

Olho para o céu estrelado, no meio do nada, numa noite gelada... Será que vês o mesmo que eu?

Tresando a saudade... Grito pelo teu nome... Não obtenho resposta pois estás demasiado longe! Então aqui começa o meu trajeto. Para começar o que não começou, para começar o que o destino tarde traçou...

Ter | 05.12.17

Insegurança que trago no espelho.

Helena Alegria

espelho meu, espelho meu

mostras-me tudo o que de mim é

mostras-me também o que é teu

assim como o meu reflexo o é

Habituei-me às minhas inseguranças. Hoje elas são minhas amigas. Hoje elas não me deitam a baixo. Hoje elas veem-me e dão-me um abraço. Perguntam-me como tenho ido e elogiam-me...

Não é que ainda esteja super insegura com as minha imperfeições. Mas habituei-me aos meus detalhes. Convivo com eles todos os dias, olho no espelho e sorrio-lhes. Não é que esteja bem com o fato de eles existirem. Mas já não me afeta. Aprendi a viver com eles, a encará-los de frente...

Haverá sempre dias em que os olharei com desprezo e talvez até escorra uma lágrima que descerá todo o meu rosto. Mas no fim do dia eu sei quem sou. Sei que os detalhes fazem parte de mim. Fazem parte da minha história e do meu crescimento.

Por isto e por tudo, amanhã quando os vir ao espelho irei sorrir. Amanhã irei abraçá-los. Amanhã vou encará-los e eles não me traram medo nem aquele sentimento que a minha, hoje amiga, insegurança trazia.

Seg | 04.12.17

Uma tempestade deixada por ti.

Helena Alegria

saíste porta fora

não entendo porque foste embora

queria-te de volta

é por ti que espero agora

Lembro-me de situações onde mudei de passeio. Outras onde não fui capaz de encarar olhos nos olhos. Baixar a cabeça pois não sabia o que fazer... Fugir aos problemas, enfim... Qualquer um sabe o que isso é!

É tão difícil quando parte de nós vai embora e ficamos incompletos, sem saber o que fazer. Não sabemos o que aí vem. Que passo haveremos de dar a seguir? O que estará à nossa espera?

Ele partiu... Eu ainda hoje não sei como lidar com isso. Parece que vagueio por ruas sem fim onde todos sussurram os nossos nomes. O nome dele, em especial. O nome dele que me assombra quando estou quase a adormecer, que me impede de descansar. Nem que eu conte carneiros, quando paro pensando que vou finalmente dormir, oiço o seu nome baixinho, atrás da minha cabeça, surrateiramente dança no meu ouvido e ninguém o consegue parar.

Se ouvir alguma música sei que a torneira escorre. Sei que o rio enche e a água flui naquele mesmo ritmo... Relembrando de bons tempos. Tempos passados, bons momentos... Hoje tudo o rio levou. Hoje de nós nada restou. E de mim? Tu levaste tudo, inclusive o meu peito, que ainda hoje persigo, tentando alcançar o que um dia foi meu... Mas que de boa vontade eu te dei.

Fecho os meus olhos e sei que te amei... Espero um dia recuperar o que foi meu, o que me faz falta. Espero aprender com os erros, acredito que vou crescendo ainda mais sem ti do que contigo. Mas chove colina a baixo... Talvez um dia eu comprove que a tempestade passa.