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a m o r o s a m e n t e

Talvez sinta demais, mas se não fosse assim perdia a graça.

a m o r o s a m e n t e

Talvez sinta demais, mas se não fosse assim perdia a graça.

Seg | 12.02.18

A vida aos olhos de um oceano.

Helena Alegria

despejada do sal que outrora me fez

percebo que na vida tudo é lucidez

o mar abre caminhos que se formam em espelhos

vida, bela vida, cheia de marés que anseio!

Somos todos mar. Cheios de profundezas que, por sua vez, se enchem de riquezas. Somos a imensidão de nós mesmos. Somos, por dentro e por fora, imensos. Cheios de tudo e de nada, cheios de mistérios por resolver. Somos força, somos frágeis. Talvez seja apenas a nossa imagem que nos dê aquele toque de cristal, mas quem se atreve a mergulhar sabe que somos como o rochedo que segura aquele alto penhasco, e quem sabe, até além disso!

Somos todos maré. Com altos e baixos. Com horas mais cheias e outras mais vazias. Com horas que impomos mais respeito, enquanto noutras deixamos qualquer coisa ouvir o que só ouve o nosso leito. Vamos enchendo... E enchendo... E enchendo... Para depois, aos poucos esvaziar. E esvaziamos... Até ser de novo hora de encher. E saudávelmente vamos vivendo, com o que conseguimos engolir em seco e com o que cuspimos para cima do primeiro que se atrever no nosso trajeto!

Somos todos onda. Cada um no seu ritmo, viajantes do nosso destino. Abrimos caminho na imensidão. Juntamo-nos a todos, por vezes, mas noutras horas abraçamos a solidão. Navegamos em direção à costa... Crescendo como podemos, ocupamos as alturas dos nossos sonhos, imaginando como será finalmente tocar o céu que nos enche de azul... Vivemos na ilusão que podemos nos misturar com essa realidade, nunca nos satisfazendo com o quão alto chegaremos. Mas lutamos por crescer, e é assim que deve ser! Cada um cresce o que consegue, ou o que o mar lhe destinou a erguer... Até que um dia mingamos, e encontramos terra firme. O que outrora se ergueu perante as alturas inalcançáveis do céu, de repente bate na areia, e assim se mistura com outra realidade... Que a vida nem sempre dura, mas nos dará a eternidade.

Que seremos todos brisa. Estaremos presentes no ar da maresia... De onde um dia viemos, do que outrora fomos feitos... Seremos o ar que enche pulmões alheios. E enquanto acreditares? O sol sempre brilhará mais...

O simples desenho da onda representa-me. Representa esta vida que anseio por viver. Começo de pequenina para crescer... Crescer... Até ao dia que a vida me desatina, e me encontro à beira mar. Caio em mim, e de novo sou pequenina. Desvaneço na areia, deixo o mar que me fez, deixo a maré que me formou. Depois desta onda navegar, por fim assumo este tom de maresia para assim noutros mares me encontrar!

Qui | 08.02.18

Vivências de ti que eu conheço em mim.

Helena Alegria

hoje, neste dia cinzento

as nuvens carregam tantos tormentos

alheios, mas pedem-te firmeza

pois o sol iluminará o teu dia desde que aqui permaneças

Memórias perdidas em cicatrizes que nem o tempo sara. Deparo-me com o reflexo daquela mente atormentada. São fantasmas que vagueiam, sem destino, num passeio, rumo às memórias do meu leito.

Nada há pior que a realidade que outrora foi nossa, a nossa alma que a tragédia devora. Nada há pior do que olhar em frente e ver um reflexo do passado, um passado tão nosso mas que nos deixa tão sedentos pelo esquecimento.

É o caos que se depara em ti, mas que um dia foi um precipício para mim. Queria aniquilá-lo da face terrestre, rezo pela sua extinção... Depois de um curto espaço de paz, vejo-o diante de mim, a atacar quem eu mais prezo.

Preço-te que corras e que não cedas aos seus sussurros e promessas. Peço que te ergas pelas tuas próprias pernas. Que não abras a porta a esse estranho que se aproxima de ti e com cuidade rouba-te um mundo inteiro. De saco às costas, não te trás prendas, mas leva de ti tudo o que reflete a tua falta de amor próprio.

Pensava eu ser forte! Pensava eu ser de ferro. Precisava de alguém por perto, alguém que, com carinho, mostrasse este afeto. Porque afeto não é só um abraço apertado, nem um sorriso acolhedor... Afeto é agarrarem a nossa mão quando estamos prestes a cair! Agarra esta mão com força e segura-te a mim. Para que não caias nas profundezas obscuras que possuís na tua mente, mantém-te firme e houve os gritos de quem te ama e te quer socorrer.

Nunca resistas a sussurros e promesas que obténs de dentro do teu ouvido para fora. Querem-te levar de mim! Querem te levar de nós! Segura-te por ti, segura-te a nós...

Qua | 07.02.18

Corridas alheias.

Helena Alegria

Desprezam o ato de "correr atrás" de outrem, mas eu não percebo.

São pessoas orgulhosas, e eu própria tenho o meu orgulho. São pessoas que receiam a rejeição, receiam a humilhação, receiam palavras ditas em vão... Perseguidas pelo pensamento alheio, temem tudo o que será dito quando os seus ouvidos estarão distantes. Querem proteger-se de baterem à porta errada, então permanecem ao relento. Passam por entre as gotas de chuva. Distantes da vista, assim nada as despista.

Queriam atirar-se de cabeça, mas por motivo ou outro, acabam por permanecer em solo seguro. Abrigam-se no que têm, confortam-se com o pensamento de que o que lhes falta, falta! Pensam que não vale a pena o esforço de o conseguir obter. Esquecem-se que não é porque a queda correu mal na primeira vez que irão sempre aterrar em pedregulhos nada amistosos. Esquecem-se que a vida passa depressa, e que as oportunidades mal agarradas o aceleram com pensamentos de "e como seria se"...

Mas nós, humanos, somos complicados.

Para quê sentar no sofá à espera que a pessoa nos ligue se queremos tanto ligar? Para quê contermos os nossos sentimentos por eles poderem nos fazer vulneráveis? Só nós controlamos o nosso mundo. Se ele desabar é nosso dever agarrar nas rédeas com mais força e bravura! Não vale a pena ficar num canto a pensar que tal pessoa é idiota e que nos está a deixar escapar. Nós também estamos a deixar essa pessoa escapar. Porque não agarrá-la? Ou pelo menos tentar? Talvez tentativas excessivas não valham a pena, mas uma dose equilibrada talvez te surpreenda.

Queria mesmo que as pessoas se fechassem menos nelas, e se expandissem mais ao mundo. Pontapé da esquerda, pontapé da direita... Se não vier por A, irá vir por B. Há sempre algo para nos tramar. Não devíamos nos limitar, ainda que a tendência seja de fronteiras cada vez mais fechadas ao nosso peito.

Investir na dose certa, seja por quem for, sempre trará ao nosso mundo um pouco mais de cor.

"Correr atrás" nem sempre vale a pena, mas esperar que alguém arrisque por nós é bem pior.

Por isso mais vale arriscar. Porque sim, simplesmente. Hoje estamos cá. Amanhã talvez. Em determinado dia não saberei mais. Arrisco sempre, nem que seja pelo simples fato que se fosse para não bater a porta nenhuma, o meu mundo estaria vazio, e não haveriam portas por preencher...

Ter | 06.02.18

Seguimento de um fim.

Helena Alegria

são dores que carrego ao peito

entregues por ti, de qualquer jeito

no meu tormento, desatino

por ver partir o sítio que eu tomei por destino

Aquela magia desvaneceu num sopro que o vento levou. Os dias corridos hoje parecem não ter fim. O jardim florido hoje perdeu o seu forte perfume e as suas vivas cores. Aquele amor morreu. O teu sentimento fugiu. O céu entristeceu. Hoje, repleto de nuvens cinzentas, carregadas por todas as lágrimas que a minha surpresa bloqueou, não esperava o nosso fim mas agora espero pela chuva torrencial que te lavará de mim.

Numa palavra o fim chegou. "Acabou" e agora tudo mudou. Os girassóis perderam o brilho, perderam o foco. A bússola perdeu o sentido, já não sabe mais para que lado fica o norte. Pergunto-me qual foi a luz e o magnetismo que te levou de mim. Ou se simplesmente achaste melhor perdereste um pouco deste caminho que é teu destino e destabilizares também o meu percurso. Queria razões, concretas como cimento. Mas se as tiveres não as despejes em cima de mim... Será que os teus motivos eram tão duros assim que não podias soltá-los de ti? Será que o meu mundo se reduziria a cinzas quando essa rigidez se afundasse em cima dos meus castelos de areia?

Mas meu bem, o meu mundo chegou ao fim. Hoje sou o pó que restou das chamas de um amor intenso. Talvez esse pó se reerga e se concretize em algo melhor... Mas até lá espero que este céu cinzento despeje o seu amor sobre mim. Cada gota de chuva irá ao encontro das minhas raízes, e com amor e paciência, pode ser que um dia, por mais distante que esteja, a flor que há em mim floresça e os pássaros possam cantar de novo, com o sentimento de que tudo está bem, mesmo depois do trágico fim.

Seg | 05.02.18

Amores amargos de muito açúcar.

Helena Alegria

amores mal contados que parecem tão açucarados

desamores próprios do que foi e hoje desapareceu

a ti te procuro e todos os nossos momentos são lembrados

com carinho e com ternura, talvez nem tudo seja assim tão amargo

Há amores e amores. Casos e compromissos. Histórias e contos. Há o comum e o oposto. Aqui há de tudo um pouco. E essa noção faz-me perder pelo espaço... Pergunto-me, quanto a ti, o que faço? Não devo ser boa com sentimentos, muito menos com a sua interpretação, e por isso ando de rastos, por não saber, em ti, o que tenho ou não.

Em miúda o meu coração era cheio. Um abismo sem fim, onde as flores acolhiam quem por lá caía. O perfume era doce. Doce de menina, doce de alegria... Mas hoje, já crescida, o abismo está lá, e de murchas flores se encheu. O perfume é escasso. A doçura desapareceu. Tanto açúcar fez de mim diabética, e o medo desses perigos tornou-me o oposto. Hoje não há açúcar. Só paira a dúvida.

Porque quando tu apareceste eu era uma doçura. Hoje sou amarga, à espera de decifrar o que nunca me mostraste. Corro atrás de ti mas não saio do mesmo sítio. Não sei como chegar a ti, não sei o que será de mim. Preciso do teu impulso para perder o medo do açúcar. De algum modo tu é que te tornaste um vício...

E por isso digo, há amores e amores. Pergunto-me qual deles tu foste. Pergunto-me se algum foste... Procuro respostas num passado ao qual já não pertenço para poder seguir num futuro intenso. Porque de algum modo prendi-me a ti. E nada sei de nós. Foi amor? Foi possível, naquele pequeno número de anos, amar alguém como se fosse a própria vida? Porque me prendi? Porque me acorrentei? Tantas perguntas em resposta, perguntas das quais eu nunca falei.

Dúvido do meu sentimento pois a amargura tomou conta de mim, aniquilou todos os jardins e esvaziou este peito que trás o abismo que há em mim. Mas só tu és o elo de coneção. Será que se perceberes isso, finalmente me estenderás a mão?

Seg | 05.02.18

Corações passados.

Helena Alegria

Aperta-me o peito ver-te com ela.

Sei que estás feliz e isso foi tudo o que sempre quis. Queria-te feliz a todo o custo, mas a partir de certo ponto fui eu a ser cobrada. Estás com alguém que te faz tão feliz... Ela é a alma gémea que eu não estava destinada a ser. Pelo menos não naquela época. E agora passeias por aí com um sorriso tão grande que preenche o mundo inteiro de luz. Mas essa luz queima-me por dentro, porque por mais que te deseje todo o bem, ainda é difícil superar.

Foste o meu amor certo à hora errada. Queria-te para mim. O meu primeiro romance... Tantos sonhos que eu investi! Sonhos em vão no meu diário de mão, trouxeram-me nada mais, nada menos, que, por não te ter, a grande solidão! E eu acolho-me nos meus próprios braços. Atirei-me de um penhasco que me projeta no mar profundo, queria navegar por essas ondas sem fim. Acabei por me afogar à primeira tentativa. E à segunda. E terceira, inclusive. Mas não desisti...

Tanta fantasia que o meu coração, por ti, trazia. Nunca terei oportunidade de perceber o que aconteceu ali. Mas que dói... Dói! Dói como brilham os teus olhos quando tocam nos dela. Dói que os dias passam e a tua luminosidade aumenta. Simplesmente, dói.

Hoje, estas lágrimas caem em vão. Caem por aquilo que eu sonhei, aquilo que podia ter sido, mas não foi.

Mas eu estou bem, tranquila com esse sorriso. Dá-me um nó na garganta, mas sei que, de novo, já tenho juízo.

Sex | 02.02.18

Confusão de sentimentos.

Helena Alegria

Parece que me perco no meu próprio coração.

Todas as emoções são confusas, das pequenas às maiores. Não as distingo. Queria conseguir pô-las em ordem, mas parece quase impossível... Porque todas elas se misturam, empurram-me da esquerda para a direita, e da direita para a esquerda, até eu cair de joelhos em mim mesma, sem forças para decifrar todas estas incógnitas.

"Toda a panela tem a sua tampa", disseram um dia destes. Mas no meio de tamanha tempestade, só o naufrágio parece ser resposta. Sempre procurei por melhor resposta em outrem, outrem que me fizesse ver as cores nítidas, em vez de uma cópia barata a preto e branco. É algo que não consigo parar de procurar... A salvação noutros braços, que me acolherão e me farão perceber aquilo do qual até agora fui incapaz.

E há sentimentos e sentimentos. Uns que me assobram, outros batem à porta e mesmo sem necessidade de os deixar entrar, eu acolho-os com toda a felicidade. Porque parece que todos podem ser a minha resposta. Então eu coleciono-os sem saber do que se tratam. Baralho a minha cabeça e fantasio tão depressa... Pergunto-me até onde isto irá? Este desespero sem bom senso, esta brincadeira de trocadilhos que me faz o coração.

Procuro por mim noutros braços, não sei até quando será em vão.

Insisto na mesma estrada repleta de pedras, assim me pede este pequeno coração.

Qui | 01.02.18

Procurando sem fim.

Helena Alegria

passam-se anos sem fim

e as horas continuam inacabadas

passam-se décadas assim

todas as horas, tão amargas

Procuro por ti na sala vazia, em cada canto perdido no qual eu me escondiria. Procuro por ti no meio da multidão, grito o teu nome mas tudo é em vão.

Tenho procurado tanto que, depois de todos os quilómetros dos quais perdi conta, cada metro parece uma centena que jamais acaba. Preciso de abastecer o carro mas nem forças tenho para me levantar. De pé parece que o mundo acabou, gira em torno de mim. Quero me atirar para o chão de tão fraca que estou, mas mais fraco está ele, a desabar na minha mente a cada passo forçado...

Eu não te marquei de jeito nenhum, mas por algum motivo o tempo passa, impressionantemente depressa, para o que eu esperaria. E eu continuo amarrada à ideia de ti e pequenas memórias que um dia vivi. Passam as oportunidades de rompante. Por tudo o quanto é sítio, elas já têm aparecido. Mas em choque eu desatino. Permaneço quieta, muda, estátua... Como me arrependo do que poderia ter dito!

Mas a cada empurrão de surpresa, eu preparo-me para atacar. Quando a vida me for deitar as mãos, eu hoje rezo para a agarrar... Não quero procurar-te em vão. Dia após dia, as forças escasseam, e eu permaneço decidida que devo agarrar a força desta busca para te trazer de volta.

Que o cimento me descubra, e que novamente eu volte a correr. Que seja na tua direção, que eu chegue até ti, é tudo o que eu peço para acontecer... É tudo o que me sussurra este coração.