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a m o r o s a m e n t e

Talvez sinta demais, mas se não fosse assim perdia a graça.

a m o r o s a m e n t e

Talvez sinta demais, mas se não fosse assim perdia a graça.

Sab | 26.01.19

Confiar é mais que um balão encarcerado.

Helena Alegria

Somos inseguros e cheios de detalhes que escondemos na nossa sombra. Guardamos os nossos problemas numa caixa feita de balão. Cada sopro leva consigo cartas sem fim de desgostos e frustrações, desilusões e finais infelizes. Até ao dia em que, na aflição nos enchemos de ar, achamos que "é só mais uma carta", dizemos que "está tudo bem, só tenho de arrecadá-la".

Mas o balão está cheio demais. Dá-se o tão temido estoiro que faz com que chovam todas aquelas palavras escondidas. Chovem cartas e chovem lágrimas que afogavam a nossa alma. Achamos que esta pressão de estar bem é necessária, que o massacre interno é necessário. Quando na verdade só queríamos que o amor batesse à porta com aquela chave, aquela com que nos trancámos a sete chaves, neste quarto tão escuro e inseguro.

Queríamos acender a luz e conseguir encarar todos estes medos, só nossos, nos olhos. E que pelo caminho, alguém nos segurasse a mão enquanto nos transmite a força e coragem que nós nos esquecemos de usar. Queremos confiar, mas confiar é um ato cada vez mais difícil nos dias de hoje. Talvez porque só confia quem ama. Confiar é amar, mas o amor tornou-se tão escasso...

Vivemos numa cela que nos separa de quem se aproxima. Guardamos a chave no nosso bolso mas não a entregamos a quem nos estende a mão. Somos reféns daquele quarto, sem luz, sem esperança. E talvez nos questionemos sobre o que nos falta fazer para sair daqui... Esperamos por alguém que traga uma lanterna no bolso, quando a verdadeira resposta está guardada no nosso.

De que te serve essa lanterna se continuas no meio destas quatro paredes? Se as pilhas acabam, ou simplesmente a lanterna avaria-se a mais cedo que tarde? De que te serve iluminar esse canto, se não consegues encarar a sombra que o rodeia?

A chave que trazes no bolso abre a porta que te guarda de ti próprio. Existe um mundo lá fora, existem noites e dias, existe a oportunidade de abraçares os teus tons mais escuros ao lado dos teus tons mais claros.

Existe a oportunidade desta vida não ser só um quarto escuro e fechado.

Qua | 23.01.19

But she still plays it every night

Helena Alegria

Her eyes
the look in her eyes
like when the stars meet the night sky
She never learned how to pretend
if she was looking into mine

 

Her way
her shyness and how she'd portray
with her hands dancing to the wind
and that pinkish shade painting her cheeks

 

She thought she could deceive me
thought I wouldn't hear the clatter in her chest
But her heartbeat was so loud
and louder the closer I stood
but she minded less than expected
and started dancing to her own love

 

However she knows
I don't want any of her songs
She knows I'm dancing on my own
to others that come this close
Yet she sings louder and louder
and never I saw something so pure

 

I try and try
to put on another song
But she only listens to mine
and I don't know how to play hers

 

So we stand
in different ways
Maybe years go by
and all things change
Maybe our playlists never ever meet again

Seg | 14.01.19

Saudades sem fim...

Helena Alegria

Gostava de ter aproveitado melhor o nosso tempo. Ter estado mais presente e ter guardado mais bons momentos. Gostava que tivessem sido mais as conversas. E também os afetos. Mas o tempo não volta atrás... E como eu queria que tu voltasses com ele!

Queria sentar-me de novo ao teu colo e sentir o teu cheiro de lar doce lar. Queria dar-te um beijo na bochecha e dizer o quanto eu gosto de ti. Dar-te um abraço apertado e dizer-te que és o melhor pai do mundo! Foste, e ainda és. Serás sempre, onde quer que estejas.

Como eu queria ser a tua menina de novo! Aquela que tu trazias até ao segundo andar, com uma capa de super homem que protegia as feridas no seu joelho. Aquela que penduravas ao pescoço como a tua maior medalha, quando na verdade era um apoio para a pequena ver melhor a paisagem. E hoje, por mais que escale cada grande montanha, por mais que suba degrau a degrau numa escadaria quase interminável, nunca haverá beleza que chegue aos calcanhares daquela magia... A magia que os olhos daquela menina adicionavam ao que via do topo do seu mundo.

Nunca a saudade foi tanta e eu só pergunto quanta mais caberá. Sinto a tua falta a cada pulsar que trago ao peito. A casa nunca esteve tão vazia desde que te ausentaste. As cores nunca estiveram tão tristes, e tudo é preto e branco lá fora. O silêncio pede de volta até as discussões. E hoje, neste espaço que parece infinito, só residem lágrimas.

Lágrimas por já não ser mas também por ter sido. Lágrimas por já não doer mas também por ter doído. As tuas dores passaram e as minhas aconchegam-se dentro do meu peito. As minha lágrimas são palavras que essas dores não expressam, mas mostram através dos meus olhos. Atravessam o meu rosto por quem me faz falta. Mas também o aconchegam por ter a sorte de ter conhecido o teu grande carinho, o teu amor de Pai.

Claro que nem tudo é bom, mas também nem tudo é mau. Podia ter sido mais, podia ter sido menos. Podiam ter sido melhor, podia ter sido pior. São "ses" que nunca mais acabam, mas nem tudo traz um se atrelado. O que foi teve que ser. O que houve teve que vir. E eu só tenho a agradecer.

A vida leva-nos tudo e todos, quer queiramos quer não. Marque o calendário que data marcar. Aponte o relógio a hora que apontar. A vida não é feita de agendas e, assim sendo, nunca há de esperar. Só o coração espera. Espera, guarda, faz tudo fazendo nada. Tem sempre espaço para mais uma memória sem nada deixar para trás. Guarda-nos tudo, seja triste seja alegre, está lá, algures.

E nós cá estamos. Nascemos, vivemos, morremos... Nada mais sabemos a cem por cento. Mas eu sei algo só teu, o brilho do teu sorriso e o amor no teu olhar. São luzes no meu peito que nunca se apagam. Eternas e cintilantes, cheias deste amor de filha que sempre sentirá falta. Rodeadas de saudades cheias de histórias contadas e recontadas. Palavras alteradas e adaptadas, mas com a sua alma sempre intacta.

Se calhar há quem tenha dúvidas sobre a idade do amor, mas tudo o que o amor tem é um espaço para amar. E eu bem o sei graças a ti. Não há idade para amar, e muito menos há idade para pai e para avô. O amor de pai é um coração com tamanho de pai. Um coração que cuida e que ama como ninguém. Puro e cheio destas verdades. Verdades honestas, verdades só tuas, verdades também minhas... Minhas e tuas.

E a minha verdade grita só saudade... Saudade essa toda tua.

Sab | 05.01.19

Quadros de encantar, esquecidos e por amar.

Helena Alegria

Nós, raparigas, crescemos rodeadas de histórias de príncipes encantados, que um dia virão num cavalo alado para viverem connosco "felizes para sempre". Algumas de nós talvez se agarrem mais a estes contos e os tragam consigo ao longo dos anos. Mas nem todas o fazem.

As minhas histórias de príncipes encantados eram os filmes que passavam na TV. As novelas e todos os pares românticos que ainda hoje me fazem sonhar um pouco, por mais que não admita.

Como romântica incurável que sou, sempre procurei o amor ou algum exemplo do mesmo. Sempre estive rodeada por muito pouca gente, especialmente no que toca a rapazes.

Nos tempos de escola era a miúda das paixonetas. Não sabia o que o meu coração dizia, e qualquer direção que o fizesse palpitar era um conto por nascer... Claro que encontrava algumas constantes pelo caminho, todas elas um tanto fictícias. E devido a toda a ficção, por mais que o meu coração dissesse "ele é o tal", eu continuava à busca de uma história que fosse mais que umas quantas folhas de papel.

Os anos passaram e dei por mim em casa, com o tempo a levar as poucas pessoas que me rodeavam, uma por uma. Isso foi complicando os meus contos de fadas, até ao dia de hoje.

E inexperiente como sou, — não falo simplesmente de romance, mas sim de pessoas no geral — dei por mim com as histórias de amor a tornarem-se em filmes de terror.

Hoje, sou um quadro antigo pendurado numa casa abandonada. Refém do pó que se acumula e da humidade que o ataca. Ninguém entra por estas portas a não ser para sair de imediato. Ninguém estende a mão para prestar os devidos cuidados. Esquecido e abandonado, com um mundo lá fora, tão recheado de arte. Arte essa, sem noção de que esta pintura exista, e tenha sido deixada para o esquecimento.

Não alcances a minha mão, pois eu desconheço a textura de uma pele que não seja a minha. Não me abraces pois os meus cacos são um castelo de cartas que ao mínimo toque pode ser derrubado. Não me abraces. Não me perguntes sobre a minha vida. A inércia desta casa abriu as portas a aranhas que tecem ao meu redor, e eu tenho tenho medo de morte das mesmas. Acho, até, que já morri por dentro.

Não me mostres mais romances, nem casais apaixonados. Não sabes o que custa ter o coração congelado pelo mundo, por ninguém o querer aquecer. Não me mostres como eles se tocam, como se aconchegam, como se beijam, como se agarram. Não me mostres como ele a olha nem como ela lhe sorri. Não me mostres nada, porque nada é pior do que ver amor em terras de não amados. Querer tocar mas desconhecer o mundo. Querer amar mas desconhecer o próprio peito. Querer sentir tudo mas não ser capaz de sentir nada.

E se me deparasse com a oportunidade de tudo conhecer e mil aventuras viver, fugia.

Porque é tão fácil fugir e continuar sem existir, do que olhar o terror nos olhos e atravessar pelas teias à minha volta, agarrar-me ao desconhecido e viver. Finalmente viver para sentir este coração aquecer.

O amor tornou-se para mim um puro e autêntico terror...