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a m o r o s a m e n t e

Talvez sinta demais, mas se não fosse assim perdia a graça.

a m o r o s a m e n t e

Talvez sinta demais, mas se não fosse assim perdia a graça.

Sab | 01.12.18

A chuva que há em mim.

Helena Alegria

A minha mente é como uma televisão sem sinal. Acho que hoje, esse já não é tanto um problema como outrora foi... A dita chuva. Aquele ruído que não tem nada, mas não se cala. Aquela imagem que nada nos mostra, a não ser a representação de um vazio. Numa televisão, esse vazio é simplesmente uma falha na recepção do sinal. Na minha mente, a falta de vida e de tudo o que a mesma implica.

Como pode ser que um ser humano, com um coração pulsante ao peito, afirme que lhe falte vida? Afinal o que é viver? Podemos basear um conceito assim no modo como o nosso organismo se comporta?

O meu corpo é um oceano e a minha alma é prisioneira numa das suas fendas mais profundas. Quero regressar à superfície mas a força das águas é maior que tudo. E com ela estão todas as minhas palavras. Os meus sentimentos, as minhas feridas, as minhas mágoas... Todos numa profundeza que parece inalcançável.

Quero falar mas não tenho nada para dizer. O meu cérebro envia sinais às minhas cordas vocais mas elas não reagem. É como se estivessem engasgadas, não conseguem emitir um único som. É como se o meu cérebro e as minhas cordas vocais vivessem em corpos distintos.  E com isto, todas as ideias que eu já quis expressar, o vento leva-as para longe, sem dia ou hora marcada para voltar.

Agora tenho um vazio. Um vazio na garganta e outro no peito. Um vazio na mente, também, que de tanto que tem para dizer, nada diz. Sentimentos que inundam o meu coração, mas na verdade não têm história alguma por contar. Só ruído que nada diz, mas também não se cala. Só uma imagem que nada mostra, a não ser a ilustração abstrata de um vazio cheio demais.

E para todos os lados que olho só vejo a dita chuva. A maldita chuva...Essa que me envolve nos seus braços, forçando o desconforto a permanecer. Dia após dia...