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a m o r o s a m e n t e

Talvez sinta demais, mas se não fosse assim perdia a graça.

a m o r o s a m e n t e

Talvez sinta demais, mas se não fosse assim perdia a graça.

Ter | 01.10.19

Chateia-me o quanto te quero.

Helena Alegria

Chateias-me a alma.

Sim, tu! Chateias-me a alma.

Tu e esse teu aroma que percorre cada rua de Lisboa mas não te encontro em nenhuma delas.

És a sombra que mais vejo mas não acho. Percorro multidões e por mais que te veja não te encontro. É sempre uma rasteira desta calçada mal arranjada. Nunca estás lá.

E chateio-me.

Chateio-me com os sorrisos que não voltei a ver e com as gargalhadas que tanto ecoaram no meu ser. Chateio-me com as lágrimas que secaram porque nunca mais te voltei a ter... Aqui. Perto de mim...

Porque a vida conspira contra o meu coração...

Estás longe e não estás. Vejo-te por todos os cantos, becos e esquinas. São sempre vultos que viram pó, partidas, ilusões de uma saudade embriagada.

Mas se estivesses aqui também estaria chateada. Chateada por ressacar de quem não posso alcançar. Chateada porque cada sorriso e gargalhada fazem-me querer chorar...

Chateada porque me chateias a alma! Quero-te e não te quero! Não te quero, mas... Ai, como te quero!

Embalada por músicas que um dia ouvi de ti. Dói o quão longe estás de mim. Mas esta ressaca não me deixa pensar direito. Quando chegas eu quero fugir, e quando vais não te quero largar... Na verdade eu só queria saber arriscar.

Arriscar para te querer e só querer. E para que quisesses também...