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a m o r o s a m e n t e

Talvez sinta demais, mas se não fosse assim perdia a graça.

a m o r o s a m e n t e

Talvez sinta demais, mas se não fosse assim perdia a graça.

Seg | 12.08.19

Esqueci-me de ti.

Helena Alegria

Esqueci-me de todas as cartas. De todas as palavras que um dia escrevi, em vão. Esqueci-me de todas as memórias que atormentavam o meu coração. Esqueci-me de tanto que não vivemos, mas que ainda assim eu recordei por tempos e tempos.

Esqueci-me de ti e de todas as esperanças que a tua memória me trazia. Esperanças de que em ti estivesse a minha salvação. Salvação essa que eu nunca achei. Que procurei e procurei incansavelmente de todas as vezes que te encontrei por aí, como se a vida dissesse que este era o caminho. Mas não o era.

De todas as vezes que eu bati à tua porta ela estava fechada a sete chaves. Todas as vezes que eu te liguei e mandei mensagem, nada mais que silêncio me chegava. Mas a vida é madrasta, e eu achava que em mais nenhum lugar iria encontrar o que tu me poderias dar. Mas tu nunca me deste nada.. E eu não me enxergava.

Até aparecer outro alguém. Outro alguém que não era um fantasma. Outro alguém que estava perto e não me deixava no silêncio, por mais que não quisesse nada.

Nunca me trouxe esperança. Na verdade, nunca me trouxe nem deu nada. Na verdade virou as costas mas sem nunca me deixar para trás.

Tu, quando viraste costas enterraste-me num passado ao qual jamais voltarás.

Todos os meus pedidos e súplicas de nada valiam. Mas eu insistia. Insistia nas palavras que me fazias escrever. Nas histórias que me deixaste por sonhar. Nas lições que me ensinaste e eu multiplicava por mais.

Porque nunca fui boa a esquecer. A deixar o passado para trás. Especialmente quando não há presente por viver... Especialmente quando o presente toca à campainha e finges não estar ninguém em casa.

Mas quando esse teima em entrar, ele entra, tarde o que tardar. Deixa-te um desgosto à cabeceira para que possas chorar o que tiveres a chorar. Porque o passado é um livro que não volta mas também não vai mais embora. E por mais que o releias, vezes sem conta, eventualmente, terás de avançar para edições mais atuais. Edições que não são meros fantasmas que cujas lágrimas sabes domar.