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Amorosamente

Meros pensamentos dramatizados em verso e em prosa

Amorosamente

Meros pensamentos dramatizados em verso e em prosa

Qui | 13.08.20

Lua nova.

H. Alegria

Já lá vai o tempo em que fomos felizes. Tempos em que as palavras se estendiam como as profundezas do mar, em horas quietas em que só paira o luar. E eu pergunto-me o que foi feito de nós? Onde estão as fases que levaram a nossa beleza a mingar? E como a lua nova passar despercebidos por quem conta constelações.

Já lá vai o tempo em que fomos presentes. Eu para ti, tu para mim. O tempo em que os nossos caminhos não só se cruzavam como eram paralelos. Onde a distância era um mito e a sombra um do outro, um abrigo. Mas a nossa estrada chegou ao fim, com sinais que nos fizeram correr em velocidades diferentes, trânsitos que nos impediram de escapar aos contratempos. Sempre achei o teu passo mais acelerado que o meu, e não me enganei.

Hoje o céu, outrora tão estrelado, é denso e escuro. Sento-me no areal a observar as ondas há espera de ouvir o teu nome mais uma vez. Sei que foi maré que já vazou... Mas é isso que a esperança nos trás, uma crença desmedida que o que partiu pode voltar. Mesmo sabendo que não, cremos até não querermos mais. E está tudo bem.

Contigo estava tudo bem. E talvez por isso sinta tanta falta do conforto do porto seguro que me foste. Pela segurança que hoje parece incerta. Pelo afeto perdido algures no meio desta imensidão de grãos de areia... Talvez alguém o tenha achado. Aliás, talvez alguém te tenha achado. Com pena minha, e da minha crença desmedida que teima em querer. Mas está tudo bem.

E espero que também estejas. Seja a surfar ondas até que volte o brilho do luar, mesmo que com outro alguém a apreciar a imensidão deste... Seja por outros areais, sem amores, mas bem. Que seja como tu quiseres, porque eu creio que estarás bem. Dum jeito ou outro eu creio que estás bem... Uma esperança, verdadeiramente dita... Pois essa sim, nada tem de desmedida.

01.08