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a m o r o s a m e n t e

Talvez sinta demais, mas se não fosse assim perdia a graça.

a m o r o s a m e n t e

Talvez sinta demais, mas se não fosse assim perdia a graça.

Qua | 19.07.17

Paredes sozinhas.

Helena Alegria

Por vezes desgastada, refugiu-me no meu canto para desabafar um pouco. Desabafo com as paredes, conto-lhes segredos que jamais ninguém ouviria. Conto-lhes bonitas histórias de amor, mas também lhes falo de batalhas perdidas. Batalhas perdidas como esta vida corrida. Como lutar contra o que é natural? Lutar contra o que é lei? E assim choram as minhas amigas. Choram de desespero e fazem-se ecoar por corredores. Mas também oiço as suas risadas… Oiço gargalhadas que espalham felicidade pelo simples gesto de receber uma flor. Oiço gritos que me assombram cada vez que me deito. Oiço conselhos que me mantém de pé. Oiço o que há de bom e de mau nas memórias de uma casa vazia. Oiço histórias que jamais contaria, assim como oiço contos de alegrias tão puras que nem a mais perfeita sinfonia descreveria. As lágrimas escorrem pelo meu rosto. Quanto seria tudo aquilo que paredes intactas guardariam! A resposta não sei, mas às paredes desabafo, e a elas me mostro. No canto de uma divisão gelada, mantenho-me firme por vezes, enquanto noutras sou derrubada. Ó solidão! Qual é a tua tormenta? Mostras o teu poder e como ele apenas aumenta. As minhas amigas permanecem imóveis, presas ao único espaço onde poderiam pertencer. E eu choro de agonia. Ó solidão, como me fazes sofrer!

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