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Amorosamente

Meros pensamentos dramatizados em verso e em prosa

Amorosamente

Meros pensamentos dramatizados em verso e em prosa

Seg | 30.08.21

Prefiro.

H. Alegria

Não me lembro da última vez que escrevi, e é um peso que carrego. Mas quando a vida anda leve uma pessoa nem nota... Sempre despejei muito o seu peso nas palavras. Publicava-as aqui para soltá-las ao vento, libertar-me, fizessem sentido ou não, fossem elas um enigma ou a clareza da água.

Tantas vezes me apontaram a melancolia, a sombra de tudo o que aqui enterrava... Mas para mim não se tratava de nada disso. Costuma-se dizer que palavras leva-as o vento, que as ações é que importam, e se calhar por mais "poeta" que haja em mim sempre as vi com essa leveza. Quando escrevo carrego-as de tudo o que tenho e não tenho e fecho esta página como se fosse uma folha ao sabor do vento!

Talvez por ser tão díficil expor as nossas angústias olhassem para as minhas palavras dessa forma. Enquanto que eu faço mais segredo das coisas boas do que das más! Ainda hoje lia uma publicação da Carolina Deslandes em que dizia "a dor, quando deixa de ser um lugar de vergonha, passa a ser um lugar de partilha". E isso é tão mais bonito! As coisas que mais nos doem na vida fazem tanta falta quanto as boas. Como se duma balança se tratasse, e como se costuma dizer "a virtude está no meio" por isso há que mantê-la equilibrada.

Já passei por muita coisa, já estive ao lado de triliões mais, e tudo fez de mim o que sou hoje. Perdi a juventude a resolver a minha cabeça, acho-me demasiado resolvida para a minha idade, há muitas coisas pelas quais devo admitir que me passa pela cabeça "quem me dera ter sido diferente", mas se eu virar à esquerda ou à direita o resultado vai ser completamente diferente, e de tanto me resolver aprendi a gostar das coisas bonitas que encontrei pelo caminho, por mais pedragulho que houvesse em seu redor. Aprendi a gostar das coisas boas, a ver o copo meio cheio e a dar tanto valor a tudo isso que os "e se's" da vida não merecem tanta atenção assim. São essas dúvidas que nos corroem para no fim do dia tudo se manter, não posso ir atrás no tempo e alterar o que quer que seja... Talvez possa dizer que aprendi também a fazer as pazes com o passado.

Acho que todos temos as nossas montanhas para enfrentar. Quem sabe um pouco a mais de mim já tem dito para passar o testemunho, como se fosse algo muito inspirador. Mas só de mencionar que "já passei por muito" condeno-me. Porque todos temos as nossas montanhas por enfrentar, no momento que mais convier à vida, e olho à minha volta e sinto-me um bebé. "Eu passei muito? Que ideia!". A vida é díficil para todos à sua maneira. E porquê ter vergonha de algo que todos sabemos? Não há nada mais reconfortante do que saber que alguém consegue se pôr nos nossos pés, que não nos apontam o dedo...

Já tive vergonha de partilhar as minhas dores de tanto secretismo que impunham nisso, mas nunca me valeu de nada. Gosto de ser transparente. Acredito que as pessoas só se entendem a falar e às vezes falar é tão difícil. E gosto de cuidar, de fazer aos outros o que gostaria que fizessem por mim. Ter rodeios com os meus problemas para quê? Há problemas e problemas mas ainda assim, gosto de crer que podemos falar de uma boa maioria deles. Que se lixem os tabus, os rodeios! Se posso mandar lá para fora prefiro, prefiro livrar-me do peso que me ata a garganta, prefiro dar espaço ao abraço, ao ombro amigo... Por mais escasso que seja, prefiro.

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