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a m o r o s a m e n t e

Talvez sinta demais, mas se não fosse assim perdia a graça.

a m o r o s a m e n t e

Talvez sinta demais, mas se não fosse assim perdia a graça.

Dom | 17.02.19

Queria que o tempo nos quisesse...

Helena Alegria

Parte-me o coração pensar em ti.

És uma ferida que nunca sara. Talvez, um dia, alguém a consiga cuidar.

Sangra e fica uma crosta que por algum motivo me incomoda. É mais forte que eu arrancá-la para fora. E o processo repete-se vezes sem fim. Talvez porque não me conformo com a realidade que eu deixei fugir.

A vida e o tempo têm uma estranha ligação.

Nós queremos, mas hoje eu não deixo, e amanhã não deixas tu. No dia seguinte seguimos a vida em linhas distintas, na incerteza que um dia se cruzem de novo, olhando para traz, para aquele cruzamento que só guarda questões pendentes...

Talvez apenas para mim.

Ou talvez seja só uma grande frustração que não me deixa sossegar!

Pensar que te podia ter e que fui eu que deixei o tempo te levar é algo desconcertante. Pensar no que podia ser mas eu não dei permissão ainda deixa o mesmo sabor amargo de quando te vi naqueles braços.

Nos braços que te ofereceram a felicidade que eu hesitei.

Talvez por medo.

Talvez por incerteza.

Ou até mesmo completa descrença!

Que alguém pudesse gostar de mim quando nem eu gostava. Que alguém me olhasse com tanta ternura como aquela que eu um dia transbordei, mas ali já tinha tornado em nada mais que mágoa.

Se calhar houve traumas que não me permitiram permitir-te. Se calhar não era para ser. Talvez não fosse o tempo certo, talvez tenha sido só uma casualidade de quem nunca mais se cruzaria!

Mas este golpe ainda sangra, por mais que lá não more qualquer rasto de sangue ruim. Apesar de tudo guardo um sorriso no rosto sempre que penso em ti. Mesmo com o gosto amargo, um gosto que queria poder exigir mais do passado, mas que sabe o quão bom já foi nos termos cruzado.

Porque eu realmente queria que o tempo nos quisesse tanto quanto eu a ti... No entanto, não foi assim.