Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

a m o r o s a m e n t e

Talvez sinta demais, mas se não fosse assim perdia a graça.

a m o r o s a m e n t e

Talvez sinta demais, mas se não fosse assim perdia a graça.

Seg | 14.01.19

Saudades sem fim...

Helena Alegria

Gostava de ter aproveitado melhor o nosso tempo. Ter estado mais presente e ter guardado mais bons momentos. Gostava que tivessem sido mais as conversas. E também os afetos. Mas o tempo não volta atrás... E como eu queria que tu voltasses com ele!

Queria sentar-me de novo ao teu colo e sentir o teu cheiro de lar doce lar. Queria dar-te um beijo na bochecha e dizer o quanto eu gosto de ti. Dar-te um abraço apertado e dizer-te que és o melhor pai do mundo! Foste, e ainda és. Serás sempre, onde quer que estejas.

Como eu queria ser a tua menina de novo! Aquela que tu trazias até ao segundo andar, com uma capa de super homem que protegia as feridas no seu joelho. Aquela que penduravas ao pescoço como a tua maior medalha, quando na verdade era um apoio para a pequena ver melhor a paisagem. E hoje, por mais que escale cada grande montanha, por mais que suba degrau a degrau numa escadaria quase interminável, nunca haverá beleza que chegue aos calcanhares daquela magia... A magia que os olhos daquela menina adicionavam ao que via do topo do seu mundo.

Nunca a saudade foi tanta e eu só pergunto quanta mais caberá. Sinto a tua falta a cada pulsar que trago ao peito. A casa nunca esteve tão vazia desde que te ausentaste. As cores nunca estiveram tão tristes, e tudo é preto e branco lá fora. O silêncio pede de volta até as discussões. E hoje, neste espaço que parece infinito, só residem lágrimas.

Lágrimas por já não ser mas também por ter sido. Lágrimas por já não doer mas também por ter doído. As tuas dores passaram e as minhas aconchegam-se dentro do meu peito. As minha lágrimas são palavras que essas dores não expressam, mas mostram através dos meus olhos. Atravessam o meu rosto por quem me faz falta. Mas também o aconchegam por ter a sorte de ter conhecido o teu grande carinho, o teu amor de Pai.

Claro que nem tudo é bom, mas também nem tudo é mau. Podia ter sido mais, podia ter sido menos. Podiam ter sido melhor, podia ter sido pior. São "ses" que nunca mais acabam, mas nem tudo traz um se atrelado. O que foi teve que ser. O que houve teve que vir. E eu só tenho a agradecer.

A vida leva-nos tudo e todos, quer queiramos quer não. Marque o calendário que data marcar. Aponte o relógio a hora que apontar. A vida não é feita de agendas e, assim sendo, nunca há de esperar. Só o coração espera. Espera, guarda, faz tudo fazendo nada. Tem sempre espaço para mais uma memória sem nada deixar para trás. Guarda-nos tudo, seja triste seja alegre, está lá, algures.

E nós cá estamos. Nascemos, vivemos, morremos... Nada mais sabemos a cem por cento. Mas eu sei algo só teu, o brilho do teu sorriso e o amor no teu olhar. São luzes no meu peito que nunca se apagam. Eternas e cintilantes, cheias deste amor de filha que sempre sentirá falta. Rodeadas de saudades cheias de histórias contadas e recontadas. Palavras alteradas e adaptadas, mas com a sua alma sempre intacta.

Se calhar há quem tenha dúvidas sobre a idade do amor, mas tudo o que o amor tem é um espaço para amar. E eu bem o sei graças a ti. Não há idade para amar, e muito menos há idade para pai e para avô. O amor de pai é um coração com tamanho de pai. Um coração que cuida e que ama como ninguém. Puro e cheio destas verdades. Verdades honestas, verdades só tuas, verdades também minhas... Minhas e tuas.

E a minha verdade grita só saudade... Saudade essa toda tua.